Bar e Restaurante Adega Pérola – Copacabana
Saboreado por Leonardo Spinardi | Categorias: bacalhau, cervejaria, copacabana, frutos do mar, peixes, petiscos, português | Publicado em 30-10-2011
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Existem lugares no Rio de Janeiro que guardam consigo características tão peculiares, fora dos padrões comuns de expectativa que até mesmo por isso acabam cativando sua audiência. É uma mistura de tradição com uma honestidade que transparece. Isso nos faz gostar do local por ele mostrar exatamente o que é, sem maquiagens. Acho que o bar e restaurante Adega Pérola, em Copacabana, é um caso desses.
É um clássico bar pé limpo, com jeitão de pé sujo (ou seria o contrário?), que oferece um ambiente simples, sem precupação com decoração nem outros tipos de fru-fru. E é justamente esse anti-marketing que funciona como o melhor marketing que se poderia ter. Tudo ali me parece genuíno, honesto, tradicional. Se tratando de um bar português que existe desde o final dos anos 50, deve ser mesmo.
É claro que o que você busca quando vai a um bar como o Adega Pérola é aquela informalidade, aquela camaradagem do garçom, cerveja gelada e petiscos saborosos a um bom preço. Sem dúvida, isso não falta lá.
Se estamos falando de tradição, começamos respeitando a mesma. Um par de chopp gelado para molhar a palavra e uma porção com 6 unidades de Bolinhos de bacalhau grandes (R$ 15,00). Bolinho graúdo, bacalhau bem temperado e crocância no ponto. Precinho pra lá de camarada e, desde já, melhor petisco que experimentei nessa experiência.
Evoluindo o processo de degustação, a segunda pedida ficou por conta da cerveja de trigo St. Gallen, que veio para acompanhar a bem servida porção de Lula fritas em anéis com limão (R$ 20,00). Não é imbatível como a do Via Farani (famosa aqui no blog), mas excelente pedida para render com uma cerveja mais encorpada. Sequinha e em boa quantidade. Boa para pedir se estiver em número maior que 2, pois rende bem.
Sem deixar cair o ritmo, eu e minha mulher já pedimos a próxima porção. Divididos em relação a qual seria, optamos por metade de cada uma. Eu queria polvo, ela bacalhau. Então pedimos 1/2 porção de Polvo e 1/2 porção de lascas de Bacalhau (R$ 18,00), para seguir a linha frutos do mar que vínhamos adotando. Carregado na cebola, tanto o polvo quando o bacalhau seriam lembrados até o dia seguinte, mas são dois clássicos que não podem ser dispensados. Acompanham uma cestinha simples de pão fatiados.
Com o intuito de dar uma limpada no paladar, pedimos uma garrafa da Therezópolis escura. Acabou não adiantando muito. Minha mulher gostou tanto do bacalhau em lascas que pediu mais uma porção (R$ 15,00). Não fiquei tão encantado assim, mas para ela foi a melhor pedida. Caímos dentro do bacalhau, bem umidecido no azeite e novamente carregado na cebola. Certo que eu e minha mulher não nos assanhamos um para o outro naquela noite. A cebola crua – tempero indispensável – foi a culpada!
Já estávamos satisfeitos, mas um cartaz acima da nossa mesa anunciava uma porção de Ostras, com 6 unidades (R$ 17,00) que me deixou tentado. Não resisti. Se minha mulher forçou um pouco a barra ao pedir uma porção exclusiva do bacalhau em lascas, eu o fiz pedindo as ostras. Já não tinha mais fome. Comi a primeira e achei que o ranço do mar estava forte demais. Comi as demais com aquela pulga atrás da orelha, me indagando se seria sábio comer ostras enquanto achava o sabor estranho. De fato, não estavam frescas, mas não tive nenhum inconveniente depois. Não acho que valha a pena arriscar. Experimente outros.
Assim que pedimos a conta, com aquela boa sensação de ter comido bastante e bebido bem, o garçom sugeriu que experimentássemos uma cortesia da casa, que não se encontra no cardápio: o alho especial temperado. Conceito diferente para se usar o alho, que se encaixa perfeitamente com boas doses de chopp. Um força o paladar, o outro limpa. Sugestão curiosa.
Saímos do Adega Pérola e fomos andando até a praia de copacabana pra facilitar a digestão. Deixamos de experimentar clássicos do local como os famosos rolinhos de sardinha crua marinada com cebola (rolmops) e os aspargos in natura, além de outras opções exóticas de peixes. Não fez falta e também não tínhamos espaço no estômago. Não recomendo a Adega Pérola prum jantar a dois, mas sim para aquele chopp descompromissado, aquele petisco puxado no tempero e aquela experiência tradicional com custo pra lá de satisfatório.
RESUMO DO JANTAR:
Não dá pra chamar a experiência de jantar. São quase 100 opções de petiscos dos mais variados tipos. O ambiente é simples, sem preocupação com a decoração. O antimarketing acaba funcionando como martketing. Esbanja originalidade e tradição. Preza pela bebida gelada e clássicos petiscos portugueses com suas devidas adaptações cariocas. Informal, popular e despreocupado. Pé limpo com cara de pé sujo ou vice-versa. Higiene e limpeza não são detalhes que vão se destacar. Mas se arrisque no chopp gelado ou nas opções de cervejas, com porções de bolinho de bacalhau, anéis de lula, lascas de bacalhau com cebola e você não se preocupará com o resto. Preço excelente! Garçom camarada, figuras carimbadas no local e aquela informalidade tipicamente carioca. Bom para uma conversa discontraída, regada a temperos marcantes, muita cerveja e diversos frutos do mar.
O que você acha da Adega Pérola, em Copacabana? Gosta dos petiscos? Dos mais exóticos? De um bom papo? COMENTE ESSE POST e compartilhe com a gente o porquê.
Bar e Restaurante Adega Pérola
Rua Siqueira Campos, 138 – Loja A
Copacabana – Rio de Janeiro – RJ
Tel: (21) 2255-9425
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